segunda-feira, 28 de maio de 2012

DIA DA ESPIGA

No dia 17 de maio, dia da espiga, a Associação Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do ribatejo, organizou, uma vez mais, um passeio pela charneca.

Este passeio, para além de se apanhar a espiga, como manda a tradição, serviu para relembrar os nomes e fotografar algumas das ervas e vegetação espontânea da nossa charneca.

Como este ano foi de pouca chuva, não havia tanta variedade de ervas como há dois anos, por exemplo. Pelo percurso feito não se encontrou uma única papoila para fazer a boneca.

Para além disso, desta vez houve uma surpresa para os mais novos. Todos tiveram oportunidade de passear de carroça, pois o Zé Preto levou o cavalo e a carroça do ti Manel Arraiado e todas as crianças foram a “caloche”.

Foi muito divertido e gratificante para todos os presentes.







“Bonecas da Glória”


“Bonecas da Glória” foi a exposição que esteve patente do dia 25 de abril a 6 de maio, no edifício da Casa do Povo.

Esta iniciativa, organizada pela Associação Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo, contou com 76 bonecas vestidas à moda da Glória. Cada uma ao critério e criatividade de cada costureira.

Agradecimentos a todas pessoas que de uma forma ou de outra tornaram possível este trabalho.

 






http://dajaneladomini.blogspot.pt/2012/05/as-bonecas-da-gloria.html#!/2012/05/as-bonecas-da-gloria.html

 


 




Cedência de Filmagens

No passado 22 de abril a Associação Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo, recebeu de Celestino Silva, um amigo gloriano de longa data, filmagens da nossa terra.
Estas filmagens, recolhidas nos anos 80, retratam como se vivia na Glória, ora com reconstituições efetuadas por elementos e colaboradores desta associação, ora recolhidas de forma espontânea.

Aqui fica o agradecimento pela cedência do trabalho e pelo contributo prestado na divulgação e preservação das coisas da nossa terra.

quinta-feira, 8 de março de 2012


“Encantos da Minha Terra”


“Encantos da Minha Terra” retrata quadros da devoção popular que identificam uma cultura religiosa muito especial onde muitas vezes a barreira entre a religiosidade e o paganismo se torna muito delicada e pouco compreensível. Porém desvela-se uma devoção indescritível do sentido da presença de Deus no quotidiano destas gentes. Quer no campo desde o romper do sol ao fim do dia, quer nas festas dos domingos, passando pela Quaresma, Páscoa e Natal onde a vertente etnográfica se torna enriquecida com as orações musicadas e recitadas mediante cada momento.”


Um musical etno-religioso pela voz do Padre Ricardo Mónica em colaboração com o Rancho Folclórico de Almeirim.

É o espectáculo que estará em palco dia 31 de Março, pelas 21:30, no edifício da Casa do Povo de Glória do Ribatejo.


Bilhetes à venda: Casa do Povo de Glória do Ribatejo - Pólo da Biblioteca Municipal
                          Papelaria Dany - Glória do Ribatejo


Organização: Associação Rancho Folclórico da Casa do Povo de Glória do Ribatejo.

sábado, 17 de dezembro de 2011


Alves Redol - 100 anos / Manel Bonitinho - 100 velas

Nasceu em 29 de Dezembro de 1911, o escritor vilafranquense que viria a marcar definitivamente a introdução de uma nova corrente literária, em Portugal: o Neo-Realismo. Embora curta, a sua vida foi intensamente preenchida pela força do seu caráter e entrega incondicional às raízes do povo. Morreu em 29 de Novembro de 1969.
Dotado de uma sensibilidade e curiosidade invulgares, cedo se dedicou à escrita (com apenas 15 anos), redigindo artigos para o semanário regional “Vida Ribatejana”. Atento aos problemas e desigualdades sociais, embrenha-se cada vez mais em atividades diversas, sempre com o intuito de conhecer, divulgar e denunciar o sofrimento de muitos, por via das suas condições de vida. Torna-se ativista político, anti-salazarista, é perseguido e preso pela polícia política.
A sua produção literária é muito vasta e diversificada, tendo-se dedicado aos estudos etnográficos, ao romance, ao teatro, ao conto e até à literatura infantil. Contudo, é a partir de 1938, data em que publica Glória - Uma Aldeia do Ribatejo que o seu desígnio de se dedicar definitivamente à literatura se fixa. Permaneceu na Glória por largos meses, em 1936, onde encontrou matéria fértil na sabedoria popular e singularidade daquela comunidade, tendo-se apaixonado de vez pelas coisas do povo, ao mesmo tempo que preenchia a sua alma inquieta de artista: “Em todos os meus livros há sempre uma busca e há sempre uma experiência. Tenho uma visão do mundo, como é natural num homem que também é escritor. Conheço, por outro lado, o nosso país e muitos dos seus problemas essenciais, convivo com outros homens tanto quanto posso, fazendo uma experiência ativa. Quero dizer com isto que não espero exclusivamente que a vida me entregue os seus frutos…”
É aqui que se encaixa a história do ti Manel Bonitinho. Nasceu na Glória, também em Dezembro, “no dia 27, uma quarta feira, ó pantar da mannhã, assim dizia a minha mãe”. Não é uma figura célebre como Alves Redol, mas está ainda entre nós (faz 100 anos) para nos deliciar com as histórias que também encantaram o autor. O ti Manel Bonitinho, homem de fraca estatura, deve a sua alcunha ao facto de, em jovem, ser um belo rapaz, como atestam as fotografias. A sua estatura em nada corresponde ao grande homem que efetivamente foi. Cingeleiro de profissão, viveu todas as agruras de um tempo difícil, numa terra dura e pedregosa, sempre a reclamar pela charrua. Hoje, com 100 anos, ainda vive em sua casa (assistido obviamente pela família), mas não foi há muitos anos que deixou de ir de bicicleta, da Glória a Salvaterra, tratar dos seus próprios assuntos, nas Finanças ou em qualquer outro lugar. De memória prodigiosa, recorda muito mais facilmente os tempos de seus avós do que propriamente a vida dos filhos pequenos (talvez porque a natureza humana nos preserve do sofrimento e em seu lugar faz vir ao de cima o tempo de outros afetos). Mostrou-se um extraordinário colaborador e grande conversador, na altura em que nos fizemos ao caminho para a produção de Glória, Cem Anos a Preto e Branco, pois foram muitas as histórias que nos contou, as dúvidas que esclareceu e vieram de sua casa algumas das fotografias presentes na obra.
Não sendo possível prestar-lhe outra homenagem, aqui fica o registo da nossa lembrança, em jeito de parabéns e do respeito que lhe devemos (símbolo de todos os outros que aqui não referimos). 













Texto:. Rita Pote